terça-feira, 28 de abril de 2009

Peste branca

Apesar dos avanços da medicina e da indústria farmacêutica, muitas doenças que já poderiam ter sido erradicadas do planeta ainda resistem, matando milhões de pessoas. Entre elas, merece destaque a tuberculose, conhecida há seis mil anos e curável pelo menos há 60. Mesmo assim, mata 1,7 milhão de pessoas a cada ano no mundo, das quais cinco mil no Brasil. Essas e outras informações estão numa matéria que fiz para a Revista Problemas Brasileiros, bem como um pouco da história dessa doença e os avanços no seu tratamento.

Tuberculose: um bacilo invencível?

A cura existe há mais de 60 anos, mas a "peste branca" resiste às tentativas de controle

EVANILDO DA SILVEIRA

Com registros de existência que datam de cerca de 6 mil anos e cura conhecida há mais de 60, a tuberculose continua a ser, até hoje, um grave problema de saúde pública em muitos países e a doença infecciosa que mais mata no planeta. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), um terço da humanidade está contaminado e, desses 2 bilhões de pessoas, a cada ano 9 milhões desenvolverão a doença e 1,7 milhão morrerão – em outras palavras, um indivíduo a cada 18,5 segundos. No Brasil, apesar de os números virem caindo discretamente, estima-se que haja 60 milhões de contaminados, com 110 mil novos casos e 5 mil mortes por ano. Diante desse quadro, autoridades de saúde do mundo todo, lideradas pela OMS, vêm lutando para controlar e debelar o avanço da enfermidade. Leia mais...

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Boa notícia

Boa notícia para quem gosta de ciência e quer vê-la bem divulgada para que mais gente passe a gostar dela. Surgiu há pouco um portal, que abriga vários blogs científicos. Veja abaixo matéria interessante sobre o assunto que foi publicado no site Ciência Hoje Online.

Unidos, venceremos!
Reportagem destaca expansão sem precedentes dos blogs sobre ciência do Brasil

A blogosfera científica brasileira acaba de ganhar um impulso que tem tudo para aumentar sua visibilidade e credibilidade. Foi criado no fim de março o portal
ScienceBlogs Brasil (SBB), versão nacional do maior condomínio de blogs de ciência do mundo. A iniciativa confirma o potencial dos blogs brasileiros sobre ciência, que ainda enfrentam obstáculos, mas vivem um momento de expansão sem precedentes.
A filial brasileira do Science Blogs foi criada a partir de uma iniciativa similar existente anteriormente – o Lablogatórios, criado pelos biólogos Carlos Hotta e Átila Iamarino, agora responsáveis por gerenciar a comunidade de blogueiros do SBB. Apesar de sua vida curta – o portal foi lançado em 2008 –,o Lablogatórios chegou a reunir cerca de 20 páginas e aumentou bastante o número de visitantes de cada uma. Leia mais...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Entrevista

O Brasil não sabe o que fazer da Amazônia

Biólogo Charles Clement, do Inpa
O biólogo norte-americano Charles Clement, Pesquisador do Departamento de Ciências Agronômicas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), há 28 anos no país, não tem dúvida: o Brasil são sabe o que fazer da Amazônia. “Os discursos são desencontrados”, diz. “Existem muitos discursos sobre desenvolvimento sustentável por parte de dirigentes em todos os níveis hierárquicos dos governos federal e estaduais, mas estes dirigentes raramente chegam a definir o que é este tal de desenvolvimento sustentável nas suas visões.” Para superar isso, ele diz que o primeiro passo é definir que modelo de desenvolvimento é o mais apropriado para a região. Na entrevista abaixo, exclusiva ao blog, ele esclarece e amplia essas idéias.
O Brasil sabe o que quer com a Amazônia, o que quer da Amazônia?
Estas são duas perguntas distintas, mas curiosamente relacionadas. A primeira é o que o Brasil quer com a Amazônia? Como mostramos no artigo, publicado na revista T&C Amazônia, acreditamos que o Brasil não sabe o que quer com a Amazônia. Os discursos são desencontrados. Existem muitos discursos sobre desenvolvimento sustentável por parte de dirigentes em todos os níveis hierárquicos dos governos federal e estaduais, mas estes dirigentes raramente chegam a definir o que é este tal de desenvolvimento sustentável nas suas visões. Ao mesmo tempo, existem muitos investimentos em desenvolvimento convencional, alguns com lindos discursos sobre desenvolvimento sustentável. O desencontro gera avanços na mesma direção de sempre: desmatamento, destruição de recursos naturais, índices de desenvolvimento humano que são uma vergonha. A segunda pergunta, é o que o Brasil quer da Amazônia? Esta é fácil de responder: recursos naturais. A implicação é que a Amazônia é tratada como colônia – igualzinho como na época dos Portugueses. Leia mais...

segunda-feira, 30 de março de 2009

Amazônia, para que serve?

O Brasil precisa decidir o quer fazer com a Amazônia, preservar a floresta em pé ou transformá-la área de pastagens e agricultura. E, quem sabe, no futuro, uma imensa savana ou até mesmo um deserto. Apesar de se falar muito na região e dos inúmeros planos e projetos para ela, a verdade é que o país ainda não tem uma política definida para aquela imensa área, que ocupa mais da metade de seu território. Com mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, ou cerca de 60% do território nacional, a Amazônia Legal é uma vasta região ainda a espera de um modelo de desenvolvimento. Séculos depois de ter rompido a linha do Tratado de Tordesilhas e conquistado aquele território, o Brasil ainda não sabe exatamente o que quer dele. O quase consenso é a idéia de que a região detém uma enorme riqueza. Não são poucas as pessoas, no Brasil e no exterior, que estão convencidas de que, na imensidão da floresta amazônica, onde se abriga a maior biodiversidade do mundo, se esconde a cura de doenças como a aids e o câncer, além de outras riquezas, como minerais, madeira e água.
Pode até ser, mas para chegar a esse ouro verde, conhecer e usufruir o que hoje é apenas riqueza potencial, é preciso muito trabalho duro e investimento em pesquisas. Mais do que isso: antes de pensar em tirar proveito das potencialidades da região, o Brasil tem que decidir o que quer da Amazônia. Para o biólogo americano Charles Clement, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (
Inpa), há 28 anos no Brasil, é preciso definir qual é o modelo de desenvolvimento mais apropriado para a região. “É com a floresta em pé ou com campos agrícolas, plantação de soja, criação de gado ou exploração da madeira?”, indaga. “Se for com a floresta em pé é preciso investir muito mais em pesquisa do que se investe hoje.”
Leia mais aqui, na matéria de capa da edição 377 que escrevi para Revista Problemas Brasileiros.
Nos próximos dias este blog vai discutir esta questão.

terça-feira, 24 de março de 2009

Médico virtual

Quem já não pesquisou na internet sobre doenças ou algum problema de saúde pelo qual estivesse passando? Eu, por exemplo, sou useiro e vezeiro em fazer isso. Acho que a informação sobre uma eventual doença pode me tranqüilizar ou, no mínimo, chegar mais preparado ao médico. Claro que pode ocorrer o contrário, e o resultado da pesquisa me deixar mais apavorado ainda, me convencendo de que estou com o pé na cova. Pois este tipo de atitude – buscar informações sobre doenças na internet – é muito comum. Tanto que já chamou a atenção de vários pesquisadores da área médica. Um exemplo recente vem das médicas Helena Beatriz da Rocha Garbin e Maria Cristina Rodrigues Guilam e do historiador André de Faria Pereira Neto, todos da Fiocruz. Eles fizeram uma pesquisa bibliográfica, analisando 15 artigos publicados entre 1997 e 2006 nos periódicos britânicos Social Science and Medicine e Sociology of Health & Illness sobre o que eles chamam de “pacientes experts”. Os três concluíram que os autores dos artigos analisados se dividem em três grupos: aqueles que acreditam que pacientes melhor informados valorizam o papel do médico; os que pensam o contrário, isto é, que o levam à “desprofissionalização”; e aqueles que não têm posição consolidada, que pensam que o fenômeno é um desafio para os profissionais da medicina. É uma boa discussão. O artigo A internet, o paciente expert e a prática médica: uma análise bibliográfica, dos três pesquisadores da Fiocruz, pode ser lido na íntegra aqui.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Dos rios para a atmosfera

Abaixo, mais uma matéria minha publicada na revista Pesquisa Fapesp, dessa vez na edição de janeiro de 2009.

As águas e o ar
Rios da Amazônia liberam 1% do gás carbônico
emitido pelas atividades humanas no planeta

Evanildo da Silveira
© Fabio Colombini

Por muito tempo se acreditou que a Floresta Amazônica fosse o pulmão do mundo e um imenso sumidouro de gás carbônico, associado ao aumento da temperatura do planeta. Estudos recentes, porém, indicam que a vegetação amazônica consome sim mais carbono do que emite, mas não na proporção que se imaginava. Pesquisas do Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), projeto internacional que envolve mais de 300 pesquisadores da América Latina, dos Estados Unidos e da Europa sob a liderança brasileira, demonstraram que ela absorve por ano apenas duas toneladas de carbono por hectare a mais do que libera para o ar (ver Pesquisa FAPESP nº 72). E esse valor pode ser ainda menor – ou até mesmo zero. É que nele não está computado o gás carbônico liberado pelos rios da Amazônia, que concentram 20% das reservas de água doce do mundo. Leia mais...


terça-feira, 17 de março de 2009

Relações perigosas

Todas as semanas recebo por e-mail os releases da Fiocruz, com notícias e sugestões de pauta sobre as pesquisas realizadas pelos seus cientistas. Fuçando no site da instituição, encontrei um pequeno texto escrito pela minha amiga, Marinilda Carvalho, com quem trabalhei no Jornal do Brasil, no final dos anos 80, e desde então não vi mais. Continua competente como sempre. O texto é, na verdade, uma introdução para um artigo interessante da patologista Marcia Angell, catedrática do Departamento de Medicina Social da Harvard Medical School. Com a palavra, Marinilda:

Artigo classifica de corruptas relações entre
pesquisadores e companhias farmacêuticas

Marinilda Carvalho

Marcia Angell, da Harvard Medical School
A patologista Marcia Angell é catedrática do Departamento de Medicina Social da Harvard Medical School. Trabalhou por 20 anos na New England Journal of Medicine, que deixou em 2000, quando era editora-chefe. Seu último livro, de 2004, saiu no Brasil em 2007 (A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos, Record). Na edição de 15 de janeiro da The New York Review of Books (www.nybooks.com/articles/22237) ela assina o artigo Drug Companies & Doctors: A Story of Corruption, no qual comenta três livros recentes sobre as relações entre companhias farmacêuticas e pesquisadores — relações corruptas, em sua opinião.

A Radis traduziu o artigo (que pode ser lido aqui na íntegra) — seu resumo está publicado abaixo — e o submeteu aos bioeticistas brasileiros Volnei Garrafa e Sergio Rego, para comentários sobre as graves denúncias da autora e sua eventual pertinência à situação brasileira. Leia mais...
P.S. meu: Mais informações sobre o livro A verdade sobre os laboratórios farmacêuticos você encontra aqui.