quarta-feira, 25 de maio de 2011

Matéria minha publicada na edição 405, de maio/junho de 2011, da revista Problemas Brasileiros.
A burrice oficial que destrói a ciência
Entraves aduaneiros infernizam a vida
de pesquisadores e atrasam projetos
EVANILDO DA SILVEIRA
Na quarta-feira, dia 2 de março, o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, anunciou algumas medidas para simplificar a importação de material de pesquisa. A principal delas é um selo adesivo, que identificará as caixas com produtos científicos que chegam ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para acelerar a liberação pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e demais órgãos fiscalizadores. Já não era sem tempo. Na opinião da quase totalidade dos pesquisadores que necessitam de insumos e equipamentos do exterior, a burocracia envolvida na compra deles é um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento da ciência brasileira e, consequentemente, da economia do país. Além da montanha de papéis que têm de preencher, os cientistas se deparam com o despreparo dos funcionários da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Receita Federal e outros agentes aduaneiros, encarregados de receber e liberar o material. A maioria não conhece as especificidades dos produtos científicos e, na dúvida, não os liberam ou, pior, simplesmente os destroem. Sem falar na falta de espaços adequados nos portos e aeroportos para armazená-los até que passem pelos trâmites burocráticos. Leia mais...


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Bioquímica

Matéria minha publicada na edição 183, de maio de 2011, da revista Pesquisa Fapesp.
Barba-de-velho mede poluição
Espécie de bromélia é usada para captar metais pesados no ar

domingo, 15 de maio de 2011

Matéria minha publicada na edição 181, de março de 2011, da revista Pesquisa Fapesp:
Sorriso limpo
Avançam os estudos para uso de
LEDs contra bactérias e fungos
Evanildo da Silveira
© Eduardo Cesar
O uso de LEDs para destruir bactérias e fungos nocivos à saúde bucal poderá estar disponível no Brasil dentro de pouco tempo. Um estudo, que envolve uma série de instituições do país, liderado pelo físico Vanderlei Salvador Bagnato, professor do Instituto de Física de São Carlos da Universidade de São Paulo (IFSC-USP), está sendo finalizado em parceria com a empresa Gnatus, de Ribeirão Preto, produtora de equipamentos médicos e odontológicos. A equipe de Bagnato desenvolve desde 2009 estudos para criar e testar um tratamento de descontaminação bucal, usando a técnica chamada de fototerapia dinâmica (TFD ou PDT, do inglês photodynamic therapy). O mesmo procedimento já é experimentalmente usado para outros fins como em lesões em partes externas do corpo, no tratamento de doenças como câncer de pele e leishmaniose, além de queimaduras. Leia mais...

sábado, 14 de maio de 2011

Amazônia

Matéria minha publicada na edição 404, de março/abril de 2011, da revista Problemas Brasileiros:
Olhos digitais
Novas tecnologias revelam segredos e ampliam
controle sobre o norte do país
EVANILDO DA SILVEIRA
Arte PB
A copa cerrada das árvores, as nuvens quase permanentes, a floresta impenetrável e a imensidão e as longas distâncias sempre dificultaram o pleno conhecimento da Amazônia e de suas riquezas. Agora, no entanto, a situação começa a mudar, com a tecnologia ajudando a desvendar os segredos da floresta. Ela está sendo usada num projeto de cartografia destinado a mapear em detalhes o relevo, as riquezas minerais, os rios e até a altura das árvores de uma área de 1,8 milhão de quilômetros quadrados, um terço do total da região. Esse é somente um dos trabalhos coordenados pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), órgão civil que incorporou o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), idealizado na década de 1990 pelas forças armadas para monitorar o espaço aéreo da floresta amazônica. Criado em 1999, o Sipam entrou em operação em 2002 e desde então vem instalando computadores, telefones, fax e e-mail por satélite, plataformas de coleta de dados meteorológicos e ambientais, radares meteorológicos e de vigilância, sofisticadas antenas parabólicas e outros equipamentos de primeira geração não só em cidades, mas também em locais afastados e comunidades isoladas de toda a Amazônia Legal brasileira, que engloba uma área de 5,2 milhões de quilômetros quadrados, espalhados por nove estados. Esses equipamentos permitem a coleta de um conjunto variado de informações sobre a região. Leia mais...

terça-feira, 1 de março de 2011

Biotecnologia

Matéria minha publicada na edição nº 180, de fevereiro de 2011, da revista Pesquisa Fapesp.
Solução genética
Mosquitos transgênicos serão soltos em
Juazeiro, na Bahia, para combater a dengue
Evanildo da Silveira
© James Gathany / CDC
Para os animais, o ato sexual é o caminho para a perpetuação da espécie. Um objetivo primordial que está se invertendo – pelo menos para o Aedes aegypti, o mosquito transmissor da dengue. Por meio de manipulação genética, uma população de machos criados em laboratório recebeu um gene modificado que produz uma proteína que mata a prole do cruzamento com fêmeas normais existentes em qualquer ambiente. Essa estratégia pode levar à supressão de um grande número de indivíduos dessa espécie, reduzir a pulverização de inseticidas para eliminar os mosquitos e, consequentemente, diminuir a incidência da doença entre seres humanos.
A primeira liberação na natureza desses animais geneticamente modificados no Brasil foi aprovada em dezembro de 2010 pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). A linhagem transgênica do Aedes aegypti desenvolvida pela empresa britânica Oxford Insect Tecnologies (Oxitec) deverá ser liberada no município de Juazeiro, no estado da Bahia, a partir deste mês pela bióloga Margareth Capurro, do Instituto de Ciên­cias Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a empresa Moscamed Brasil, instalada na mesma cidade baiana. Leia mais...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Biotecnologia

Matéria minha publicada na edição impressa 179 - Janeiro 2011, da revista Pesquisa Fapesp.
Ferramenta genética
Identificados marcadores moleculares
de carne macia em gado nelore
Evanildo da Silveira

Gado canchim
Em breve não será mais necessário esperar o bife na mesa para saber se a carne é macia. Por meio de exames biotecnológicos com o uso de sangue, pelos e até com amostras do sêmen será possível prever se determinado animal da raça nelore, ainda bezerro de poucos meses, terá ou não uma carne tenra. A nova tecnologia usa marcadores moleculares, variações na sequên­cia de DNA que permitem diferenciar os indivíduos de uma espécie, para identificar os animais com predisposição genética para ter a carne mais macia. Desenvolvido por uma rede coordenada por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), unidade Pecuária Sudeste, em São Carlos, no interior paulista, e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o trabalho resultou num pedido de patente internacional para o método de identificação de animais com esse potencial de qualidade. O nelore é responsável por cerca de 60% do rebanho nacional, que somou no final de 2009, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 205 milhões de bovinos. O Brasil é o segundo rebanho mundial, atrás da Índia, e o segundo produtor de carne, logo depois dos Estados Unidos, com 6,6 milhões de toneladas produzidas em 2009. Desse total 14% foram exportados e, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, nos primeiros 10 meses de 2010, a exportação, apenas para a Europa rendeu US$ 548 milhões. Leia mais...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Matéria minha publicada na edição 403, de janeiro/fevereiro de 2011, da revista Problemas Brasileiros.
Vida subterrânea
Cavernas brasileiras escondem inúmeras riquezas
que ainda precisam de estudo e proteção
EVANILDO DA SILVEIRA
Foto: A. Perez-Gonzalez
Não é exagero dizer, para usar uma frase feita, que o planeta fervilha de vida. Raríssimos são os lugares estéreis na Terra. Organismos vivos – bactérias, principalmente – já foram encontrados em poças geladas na Antártida e em fendas no fundo dos oceanos, de onde a água jorra a 250 ºC (abaixo ainda, no entanto, do ponto de ebulição, por causa das altas pressões). Com as cavernas não é diferente. Apesar de seu interior escuro e pobre em alimento, nelas vivem milhares de espécies. No Brasil, aos poucos, a ciência começa a lançar luz sobre os animais que vivem nesses ecossistemas peculiares.
Trabalho para os pesquisadores não falta. O país tem hoje 5.203 cavernas cadastradas pela Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE). Essa, porém, é apenas uma pequena parte das que existem. Estima-se que o número total no território nacional possa chegar a 100 mil. Há cavidades subterrâneas de todos os tipos: grandes – a maior delas, a Toca da Boa Vista, em Campo Formoso, na Bahia, tem 107 mil metros de galerias –, pequenas, acidentadas, profundas, planas, secas ou com lagos e rios.
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